Alunos de ciências exatas, seminus, protestam contra o calor e reitor garante climatização
Ed Wanderley/DP/D.A Press
Bermudas de praia, sungas e até cuecas samba-canção. Para os alunos das Ciências Exatas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), estes parecem ser os uniformes mais apropriados para assistir aula nos prédios da Área II, onde estudam, na Cidade Universitária, no Recife. Isso por conta da falta de condicionadores de ar nas dependências do local, em dias constantes de calor intenso. Para deixar a insatisfação ainda mais clara, nesta quarta-feira (23), alguns alunos se despiram em frente ao reitor da instituição, Amaro Lins, em assembléia convocada pelo movimento estudantil e pela coordenação da área.
Cerca de 2 mil alunos, dos Centros de Tecnologia e Geociências (CTG) e de Ciências Exatas e da Natureza (CCEN), assistem alguma aula em uma das 17 salas da área II, normalmente utilizada por alunos que cursam o ciclo básico de sua grade curricular. Segundo os alunos, destas, 16 estão com problemas de refrigeração há quase dois anos e, como foram concebidas com sistema de condicionador de ar central, muitas delas têm janelas que não abrem, dificultando ainda mais a concentração durante as aulas. “A sensação térmica, tenho certeza, é de mais de 40ºC. Tem gente que já traz o ventilador, dentro do ônibus, para a sala de aula e, várias vezes, os professores não conseguem dar aulas por mais de uma hora”, afirma o aluno do 5º período de engenharia química, Filipe Quintino.
O apelo parece ter surtido efeito e o reitor se comprometeu a solucionar o problema de climatização das salas de aula da área II dentro dos próximos 15 dias. Segundo ele, neste sábado, uma nova subestação elétrica será instalada na Prefeitura da UFPE, permitindo a alimentação de 30 novos condicionadores de ar, já comprados, que devem estar devidamente funcionando até o próximo dia 04 de abril. Até a data, as salas de aula devem permanecer fechadas e os alunos, remanejados para outros prédios. “O problema era esperado, já que aumentamos quase 50% do número de vagas e abrimos 33 novos cursos em apenas 5 anos. Temos que realizar ajustes e ir contornando estes inconvenientes”, explicou Amaro Lins, negando, no entanto, que houve falta de planejamento por parte da direção da UFPE para receber um número maior de alunos na mesma estrutura física que dispunha.
Na ocasião, o presidente do Diretório Central dos Estudantes de Pernambuco (DCE), Daniel Pires, reiterou o protesto dos estudantes após verificar que a refrigeração não é a única dificuldade enfrentada pelos alunos. “Também há problemas de limpeza no prédio, manutenção de banheiros e superlotação das salas de aula, o que pode comprometer a formação”, denunciou. Apesar do protesto, literalmente ‘acalorado’, com direito a pouca roupa em frente à maior figura representativa da UFPE, todos os problemas registrados foram anotados por ele, que se comprometeu a fiscalizar a qualidade e execução dos serviços. “Jovem é jovem. Protestos são encarados com naturalidade, desde que haja, antes de tudo, respeito”, afirmou.
Problema isolado? – Com a forte onda de calor registrada nas últimas semanas no Recife, não é por menos que o ‘humor’ dos alunos esteja mais exaltado e permita bem menos tolerância às limitações da UFPE. O próprio Restaurante Universitário da instituição, inaugurado pelo Ministro da Educação, Fernando Haddad, no final de fevereiro deste ano, apesar de concebido para atender à atual realidade da corpo docente que o utiliza, não dispõe de climatização e sofre com atendimentos demorados.
De acordo com o estudante do 7º período do bacharelado em geografia, Kauê Gomes, de 23 anos, o inconveniente é constante, começando pelo pagamento da alimentação, realizado antes do ingresso dos estudantes ao local, o que, no horário de almoço representa uma espera, em sol aberto, de uma média de 35 minutos. “Além disso, quem passa mais de um turno na universidade não têm direito a realizar mais de uma refeição, que é restrita a apenas uma por aluno. Queria saber se o reitor e a diretoria come apenas uma vez por dia”, indagou.
Ainda que causando descontentamentos, o Restaurante Universitário fica lotado a maior parte do horário do almoço, e, durante a espera, os alunos improvisam e se defendem como podem. Por isso, justamente por enfrentarem céu ‘aberto’, vários estudantes optam pela boa e velha sombrinha, que serve como arma contra os raios solares. Um recurso simples e eficiente para um problema que pode demorar a ter solução.
Por Ed Wanderley
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