Pernambuco ganha moderno sistema de monitoramento e alerta de nível de rios e chuvas
Roberto Pereira/SEI
Dados precisos sobre o comportamento dos rios, índices de chuva e alertas de risco de enchentes com até 72 horas de antecedência. Pernambuco ganhou hoje a primeira ‘Sala de situação’ do país, um projeto piloto que deverá nortear a implantação, pelo Ministério de Ciência e Tecnologia, de um sistema de monitoramento em tempo real dos efeitos das águas em bacias hidrográficas da Mata sul do estado e Região Metropolitana do Recife.
De acordo com o governador Eduardo Campos, o Sistema de Previsão e Alerta Hidrometeorológico é uma forma de conter os efeitos causados pelo próprio homem, decorrente de impactos à natureza local, mas que exige que a atual postura seja repensada. “Muito foi destruído por conta do silencia de muitos, conivência de outros e porque tantos nada puderam fazer e, hoje, é o pobre que paga o preço. É preciso reviver os rios e estabelecer uma nova relação com a natureza, resultado de uma mudança na cabeça das pessoas”, defende.
Um dos recursos que são destacados é o sistema de simulação de enchentes, que mostra, em detalhes, o comportamento da água ao reagir a precipitações e incremento de vazão. “Dessa forma, é possível identificar até onde a água vai e antecipar ações para minimizar os danos”, resume o governador. De posse das informações, os agentes da Apac informam as Defesas Civis do estado e dos municípios possivelmente afetados até três dias antes do evento, o que pode garantir que as famílias sejam conduzidas a um ambiente de segurança.
Como forma de iniciar a reestruturação do ambiente, cerca de R$ 1 milhão será investido no replantio de matas ciliares e revitalização de bacias. Outros R$ 8,5 milhões já estão sendo investidos para o monitoramento “não apenas de rios e chuvas, mas também de águas subterrâneas e na capacitação de pessoal para garantir a qualidade do trabalho”, classifica o presidente da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), Marcelo Asfora.
A Sala de situação foi oficializada nesta terça-feira, por meio da assinatura das ordens de serviços que envolvem os próximos passos da Apac. Nela, são decompostos os dados transmitidos pelas 16 plataformas de coleta de dados, que funcionam a base de energia solar, instaladas nas bacias dos rios Una, Capibaribe e Mundaú desde o mês de março. As informações incluem dados de nível da água, precipitação, umidade relativa do ar e até mesmo velocidade dos ventos. Outros 16 PCDs devem ser colocados até julho em outros pontos destas mesmas bacias e também nas de Sirinhaem, Goiana, GL1 e GL2, que ainda não estão sendo monitoradas por não apresentarem grande fator de risco.
Segundo o Gerente de Monitoramento e Fiscalização de Barragens e Represas, Clênio Torres, as estruturas são colocadas na água e por meio de um chip, semelhante ao utilizado na telefonia móvel, transmite as informações em intervalos programáveis, que normalmente são de 15 minutos, à Sala de situação. “Dessa forma, conseguimos avaliar os riscos mais rapidamente e com maior precisão, tendo em mãos dados de previsão meteorológica e as vazões dos rios. É assim que sabemos o momento certo, por exemplo, de abrir comportas de uma barragem, evitando desastres mais impactantes que os transtornos já gerados”, explica.
Para garantir um maior controle dos sistemas hídricos do estado, de acordo com o secretário João Bosco de Almeida, outros 40 PCDs de monitoramento do nível de reservatórios e 7 bóias de verificação de nível e qualidade de água serão instalados até o segundo semestre deste ano. O investimento, de R$ 1,5 milhão vai permitir que enchentes voltem a preocupar os pernambucanos. “Pernambuco está colocando a água como prioridade, como ela necessita. Não há controle certo nunca. Vimos problemas com o Rio Mississipi, nos Estados Unidos, causando problemas maiores do que tivemos aqui e eles têm muito mais recursos de controle. Mas, se tivéssemos este tipo de aparato no ano passado, a tragédia da Mata Sul poderia não ter sido evitada, mas certamente minimizada”, garante.
Nomeação – Durante a inauguração da Sala de situação, o governador Eduardo Campos aproveitou para nomear os 88 concursados da Agência Pernambucana de Águas e Climas (Apac) e recomendar compromisso com a qualidade do serviço público. “As pessoas estão acordando mais cedo para o fato de que não se pode aceitar pagar 40% de impostos e não ter um serviço prestado com qualidade. É isso que buscamos aqui, para garantir a segurança das pessoas”, conclui.
Por Ed Wanderley
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