Antonio Palocci pede demissão da Casa Civil

Foto: Casa Civil
Saída do ministro foi comunicada em nota nesta terça-feira
Pressionado a deixar o cargo desde que uma reportagem revelou aumento de 20 vezes em seu patrimônio entre 2006 e 2010, o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, pediu demissão nesta terça-feira.
"O ministro Antonio Palocci entregou, nesta tarde, carta à presidenta Dilma Rousseff solicitando o seu afastamento do governo”, informou, em nota, a Casa Civil.
Segundo o Ministério, Palocci “considera que a robusta manifestação do Procurador-Geral da República confirma a legalidade e a retidão de suas atividades profissionais no período recente, bem como a inexistência de qualquer fundamento, ainda que mínimo, nas alegações apresentadas sobre sua conduta. Considera, entretanto, que a continuidade do embate político poderia prejudicar suas atribuições no governo. Diante disso, preferiu solicitar seu afastamento."
Em uma outra nota, o Palácio do Planalto confirmou que a demissão de Palocci foi aceita pela presidente Dilma, e que ela convidou a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) para assumir a Casa Civil.
Serviços valorizados
Segundo reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo em 15 de maio, o patrimônio de Palocci cresceu pelo menos 20 vezes enquanto ele exerceu mandato de deputado federal, entre 2006 e 2010, passando de R$ 375 mil para cerca de R$ 7,5 milhões. Os ganhos, diz Palocci, foram auferidos por sua empresa, a Projeto, por meio de consultorias na área econômica.
Na segunda-feira, o Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, anunciou o arquivamento das representações contra o ministro. Segundo Gurgel, não há indícios concretos da prática de crime nem justa causa para investigar o caso.


A oposição e alguns políticos aliados do governo, no entanto, exigiam a saída de Palocci e defendem a abertura de investigação para apurar se a evolução do patrimônio do petista configura enriquecimento ilícito.
Eles acusam o ministro de ter praticado tráfico de influência, valendo-se de sua capacidade de articulação dentro do governo, para favorecer seus clientes, o que explicaria os altos rendimentos da Projeto.
Palocci nega ter cometido qualquer irregularidade e diz que todas as informações referentes a sua empresa foram repassadas aos órgãos de controle.
Ele justificou os altos rendimentos da Projeto ao dizer que, por já ter sido ministro da Fazenda (ocupou o cargo entre 2003 e 2006), seus serviços de consultoria são valorizados no mercado.
Além disso, afirma que nunca prestou consultoria a empresas envolvidas em negócios com o governo e que, para evitar conflito de interesses com seu cargo atual, sua empresa deixou de prestar serviços de consultoria pouco antes da posse de Dilma Rousseff

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