Feirantes de Caruaru migram para Santa Cruz. A falta de estrutura é o principal problema dos comerciantes

A falta de investimentos e de atenção por parte do poder público estão prejudicando o comércio da sulanca em Caruaru, no Agreste de Pernambuco. Há um bom tempo os feirantes vêm reclamando da desorganização e falta de estrutura do local, o que está refletindo na queda do movimento e, com isso, reduzindo a renda dos que fazem disso meio de vida. Por outro lado, a feira de Santa Cruz do Capibaribe, também no Agreste, está sendo a saída para os comerciantes que tiveram que migrar de feira para vender seus produtos de maneira mais viável.
“Aqui, em Caruaru, precisa melhorar tudo. É cheio de mato e lama. Os clientes estão correndo para santa Cruz porque lá tem mais estrutura e a gente tem que se virar aqui”, afirmou a feirante Paula da Silva, de 22 anos. A reclamação é unanime entre os milhares de comerciantes do terreno da Fundac, onde está localizada atualmente a Feira da Sulanca da capital do Agreste. Em época de chuva a situação fica ainda pior, já que o espaço não tem cobertura e o terreno enche de lama. “Paguei R$ 45 para fazer um batente de tijolo para os clientes não sujarem os pés e poderem se aproximar da barraca”, comentou Maria Florêncio, 63. São as condições precárias de passagem pelos boxes que causam prejuízo a Leonel Pereira, 64 anos, que é dono de várias bancas que estão abandonadas em um dos pontos mais alagados. “Só tem lama e o povo não quer negociar aqui não”, enfatizou.
Outra reivindicação de quem trabalha na feira é a falta de fiscalização com o horário de abertura e a disposição das bancas. “Falta fiscalização do horário. Só podemos abrir o banco de 3h30 ou 4h, mas tem bancos na rua que abrem mais cedo e em locais que não pode e acabam tirando nossos clientes”, denunciou Adriano Farias, 32. Já em Santa Cruz, que fica a 60 quilômetros, a situação é bem diferente. No pátio da feira, mais conhecido como Moda Center, o que se vê é uma estrutura coberta, calçamento, dormitórios, banheiros, posto médico, segurança privativa, praça de alimentação em uma área de 120 mil metros quadrados, que comporta mais de nove mil boxes e 707 lojas. Por es­tes motivos muita gente tem trocado Caruaru por Santa Cruz.
“Vim para cá desde 2006, quando foi construído o espaço, porque a gente precisa de um lugar melhor para trabalhar”, disse a caruaruense Ivanise Alves, 48, uma das mais antigas vendedoras do local.
Enquanto o problema não se resolve, o prefeito da Capital do Agreste, José Queiroz  disse estar sensível as reclamações. “As comparações são uma questão que tenho levado muito a sério até porque é o sulanqueiro quem vai definir a sua vida”, frisou. Segundo Queiroz, algumas obras devem melhorar a estrutura no local, mas elas não incluem a instalação de coberta na área.
Por Renata Coutinho, de Regional

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