DP DESTACA ATUAÇÃO DE MULHE A FRENTE DE COMPANHIA DE POLÍCIA SERTANEJA. LEIA :
Filha de sargento, irmã de tenente e soldado, ex-mulher de capitão. Primeira tenente, mas, antes disso, mãe de uma pequena de cinco anos que a faz querer mudar para melhor a realidade que a cerca. Com apenas 17 anos, foi aprovada no Curso de Formação de Oficiais. Dividiu os três anos da academia de polícia com outras quatro meninas e inúmeros homens. Uma garota que se tornou mulher em regime de semi-internato. “Tive que amadurecer rápido”, lembra. Depois disso, foi conquistando espaço em um meio onde a liderança ainda é predominantemente masculina. Na capital, trabalhou no 16º Batalhão – área central do Recife -, serviu à Radiopatrulha, mas decidiu regressar. “Sou filha do Sertão, aqui é o meu lugar”, explica. Foi responsável pela prisão do homicida Marcos Rodrigues dos Anjos, o número 1 da lista dos mais procurados do Sertão. O traficante internacional Paulo de Tarso, um dos responsáveis pela entrada de droga oriunda do Paraguai no Nordeste, também foi um alvo capturado por ela. Nas palavras de seu superior, o comandante do 23º Batalhão de Afogados da Ingazeira, a primeira tenente Myrelle é um orgulho para qualquer corporação. “A PM ainda tem uma segmentação bastante machista, mas ela está conseguindo transpor esse obstáculo. Quando eu a designei para comandar uma equipe, não tive dúvidas de que seria capaz. Acredito na sua força de trabalho, integridade e capacidade administrativa”, ressalta. Entrevista : Myrelle Cândido de Oliveira, 31 anos - Comandante da 3ª CPM do 23º BPM/PE Como você despertou para a carreira militar? Tenho esse histórico familiar de polícia. Só minha mãe não é da PM e, sendo bem sincera, ela é que sempre manda. Mas meu pai, meu irmão mais velho, o mais novo e até meu ex-marido são militares. Quando fiz 17 anos abriram cinco vagas para mulheres no curso para oficiais aqui do estado. Passei. Entrei muito nova, enfrentei dificuldades, mas aprendi a viver. Hoje, tenho 14 anos de polícia. Já trabalhei em Serra Talhada, no 16° Batalhão do Recife, na Radiopatrulha. Experiências bem-sucedidas e resolvi voltar para casa. O que passa na sua cabeça antes de entrar em ação? A adrenalina fica a mil. Mas acredito muito no trabalho dos que estão comigo. Com equilíbrio e profissionalismo fazemos dar certo. Tenho uma filha pequena. Sempre penso nela antes das operações. Confio nos meus policiais e em Deus para ter a certeza que vou voltar pra casa. Não existe diferença entre eu e eles. Na hora das ações, estamos todos no mesmo barco. Esse comando não é só meu. É deles também. Só conseguiremos, se continuarmos juntos. Fonte: Diário de Pernambuco |
Por Nill Júnio |
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