domingo, 5 de janeiro de 2014

Corpo do cantor mineiro Nelson Ned é velado em cemitério da Grande São Paulo




Cantor recebe últimas homenagens em seu velório na cidade de Itapecerica da Serra, em São Paulo. Foto: Francisco Cepeda e Leo Franco/AgNews


O corpo do cantor mineiro Nelson Ned, que morreu na manhã deste domingo aos 66 anos, é velado no Cemitério Horto da Paz, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. De acordo com funcionários, o corpo chegou ao local por volta das 15h. Familiares, amigos e fãs já começam a chegar para se despedir do artista.

O cantor morreu por volta das 7h. Segundo a assessoria de imprensa do Hospital Regional de Cotia, no interior de São Paulo, Ned deu entrada na unidade na tarde de sábado já com quadro grave de pneumonia. O artista também era diabético. Ainda segundo a assessoria do hospital, durante a madrugada o quadro de saúde acabou piorando e ele morreu no início da manhã deste domingo.

Nascido em Ubá, na Zona da Mata Mineira, Nelson Ned começou a se apresentar na década de 1960. O maior sucesso de sua carreira é a música Tudo passará, que foi regravada pelo menos 40 vezes. Nos últimos anos, o cantor se dedicou à música gospel até que em 2003 ele sofreu um acidente vascular cerebral (AVC). Por causa do problema de saúde, que além de afetar sua voz, o deixou em uma cadeira de rodas, o cantor se afastou do meio musical e da mídia. Desde então, ele morava em uma residência assistida em São Paulo.

No final do ano passado, a reportagem do Estado de Minas visitou o "pequeno gigante da canção" em São Paulo e o acompanhou em um passeio pela cidade, quando foi visitar duas irmãs, as filhas e sobrinhos. Mesmo com dificuldades para se comunicar e lapsos de memória, Ned falou com orgulho da carreira e relembrou vários momentos importantes, como sua apresentação no Carnegie Hall, em Nova York, que chegou a lotar por três vezes na década de 1970. Nos Estados Unidos, ele foi o primeiro artista latino-americano a bater a casa de 1 milhão de discos.

Nelson Ned d’Ávila Pinto nasceu em 2 de março de 1947, em casarão na Rua Coronel Júlio Soares, em Ubá. A casa abriga hoje uma clínica de estética e pertenceu à família da mãe, dona Ned, durante muitos anos. Como a criança não se desenvolvia, levaram-na ao médico e foi diagnosticada uma alteração genética de nome complicado: displasia espôndilo-epifisária. Os outros seis irmãos nasceram sem esse distúrbio, porém os três filhos de Nelson (Nelson Júnior, Monalisa e Verônica) herdaram a baixa estatura. A família, principalmente a materna, é toda musical. Dona Ned, a mãe, tocava piano, violão, acordeom e ainda estudou canto lírico; e o pai, seu Nelson, também gostava de cantar.

Com 4 anos, Nelson participou do programa 'A hora do guri', na Rádio Educadora Trabalhista de Ubá e ganhou o 1º lugar. O mesmo palco onde ele se apresentou ainda está lá, no prédio da emissora, que completa 60 anos neste mês. No fim da década de 1950, a mãe de Nelson Ned havia passado no concurso da Coletoria Estadual de Minas Gerais e, para oferecer melhores condições aos filhos, sugeriu ao marido que a família se transferisse de Ubá, onde moravam, para a capital. Em Belo Horizonte, eles ficaram três anos, sempre morando de aluguel, nos fundos. Primeiramente na Rua Capivari, na Serra, e depois nas ruas Ceará e Gonçalves Dias, no Bairro Funcionários.

Com apenas 12 anos, ele começou a trabalhar como secretário do gerente da fábrica da Lacta, Mopyr de Souza Arruda, que o ajudou bastante, além de ser o pai da primeira paixão do futuro cantor, Eliciane, uma das inspirações para a famosa canção Tudo passará.

A trajetória artística começava a deslanchar e Nelson passou a participar de programas da TV Itacolomi, como o Cirquinho do bolão e o Clube do pererê, e a cantar nas rádios Guarani e Inconfidência. Na ocasião da entrevista, questionado sobre suas lembranças de Belo Horizonte, o artista ficou pensativo, mas logo disse: “Aldair Pinto, radialista da Inconfidência’’. Foi ele quem te lançou? E Nelson respondeu, categórico: “Não. Quem me lançou foi Deus”
.DIÁRIO DE PE

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