Luz acumula aumento de 21% em 2015
Do JC Online
Foto: Divulgação
O blecaute chegou ao bolso
do consumidor pernambucano com o novo aumento na conta de luz. Somando
os três reajustes praticados somente de janeiro a abril deste ano, o
reajuste médio chegou a 13,06% para o consumidor residencial e 15,21%
para as indústrias e empresas de médio e pequeno porte. “Podem se somar a
esses percentuais os 8% de impacto que o uso da bandeira tarifária
vermelha trouxe à conta de luz. Isso significa um reajuste da ordem de
grandeza, em média, de 21% para os pernambucanos nos quatro primeiros
meses de 2014”, diz o integrante do Instituto Ilumina Nordeste, Antonio
Feijó. Nem a Celpe nem a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)
consideram a aplicação das bandeiras tarifárias um reajuste, porque elas
trazem um acréscimo ao valor da conta de luz quando as condições de
geração estão desfavoráveis e podem deixar de ser cobradas, por exemplo,
quando os reservatórios das principais hidrelétricas do País voltarem a
ficar cheios. A diretoria da Aneel definiu ontem os novos reajustes que
passarão a ser cobrados a partir da próxima quarta-feira (29). Serão os
seguintes: 11,19% para os clientes residenciais, sendo 11,38% para os
de baixa renda e 11,13% para os demais; as grandes indústrias terão um
acréscimo, em média, de 16,74%, as médias e pequenas de 12,99%, e as
fábricas de menor porte, um decréscimo de 0,21%. O impacto médio do
aumento no Estado é de 11,25% e a alta será sentida na conta de maio.
É a terceira vez que a conta aumenta só
este ano. Em janeiro, a energia ficou mais cara porque passou a ser
cobrada a bandeira vermelha, que na época era de R$ 3,00 para cada 100
quilowatt-hora (kWh). Em março, a bandeira vermelha saiu de R$ 3 para R$
5,50 e foi cobrado um reajuste médio de 2,20% de Revisão Tarifária
Extraordinária (RTE) para os pernambucanos, com a finalidade de cobrir o
preço de geração das térmicas, que produzem uma energia mais cara e
estão funcionando desde o final de 2012, devido à escassez de água nos
reservatórios das principais hidrelétricas do País.
“A bandeira deve continuar vermelha todo
este ano porque está acabando o período chuvoso em abril e os
reservatórios continuam em baixa”, diz Feijó. Também podem ser aplicadas
as bandeiras amarelas e a verde. Somente essa última não influencia a
conta do consumidor.
REPASSE - Duplamente
impactado pela alta no preço da energia, o comércio deve repassar o
reajuste, segundo o diretor executivo da Câmara de Dirigentes Lojistas
(CDL) do Recife, Fred Leal, também presidente do Sindicato dos Lojistas
do Recife. “Nossa perda é dobrada. Primeiro, porque os consumidores
passam a ter menos renda para consumir, devido ao aumento da conta de
luz e à inflação. E ainda arcamos com o aumento do custo da operação”,
conta. “Pagamos pelos erros dos outros. O governo federal foi
irresponsável e fez uma manipulação dos preços para fins eleitoreiros”,
desabafa.
Uma parte do atual aumento da Celpe
ocorreu para pagar os encargos setoriais (taxas arrecadadas pelo governo
federal na conta de luz) e empréstimos que a distribuidora teve que
fazer durante 2014 para contratar a energia por um preço mais caro no
mercado de curto prazo. No cálculo do novo aumento, entraram valores
como R$ 163 milhões para cobrir o Encargo de Serviços do Sistema (ESS),
usado para bancar a energia que a Celpe comprou no mercado de curto
prazo em 2014. Mais R$ 377,4 milhões foram contabilizados para financiar
a compra da energia mais cara das térmicas e “o efeito do risco
hidrológico” do ano passado, como diz o voto do relator do aumento da
Celpe na Aneel, Reive Barros. Os encargos setoriais tiveram uma variação
de 59% e foram responsáveis por 6,63% do reajuste.
O presidente em exercício da Federação
das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Ricardo Essinger,
considera “péssimo” o aumento na conta de luz, uma despesa que chega a
representar até 30% nas companhias de porte médio do setor. “Somente o
cimento que fabrico terá um acréscimo de 2% no custo e não vamos poder
repassar isso ao cliente”, comenta, acrescentando que esse acréscimo vem
num cenário difícil em que as empresas estão sofrendo com o aumento dos
custos e a redução da atividade econômica.
A reajuste do preço da energia traz
outro aspecto negativo: contribui para a alta da inflação, com um
repasse generalizado do aumento do custo das empresas. Em março último, a
energia foi a vilã da inflação em todo o País. No acumulado dos últimos
12 meses, o IPCA (índice oficial que mede a alta dos preços no País)
registrou uma alta de 8,13% e um acumulado de 3,83% neste ano.

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