sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Dois dos acusados de matar promotor Thiago Faria são condenados


José Maria Pedro Rosendo e José Marisvaldo da Silva foram considerados culpados pelo júri / Foto: Ricardo B. Labastier/ JC Imagem

Pouco depois das 4h20 desta sexta-feira (28), cinco dias após o início do julgamento de três dos cinco acusados pela morte do promotor Thiago Faria Soares, dois dos réus foram condenados pela Justiça. José Maria Pedro Rosendo (conhecido como Zé Maria de Mané Pedro), mandante do crime, foi sentenciado a 50 anos e quatro meses de reclusão pelo homicídio de Thiago e pelas tentativas de homicício da noiva do promotor e do tio dela. José Marisvaldo da Silva, por sua vez, pegou 40 anos e oito meses de prisão pelos mesmos crimes. Adeildo dos Santos, que era suspeito de participar da investida, foi absolvido pelo júri. O julgamento ocorreu na sede da Justiça Federal em Pernambuco, no bairro do Jiquiá, Zona Oeste do Recife.


"Meu filho merecia justiça e ela começou a ser feita. Ainda temos dois julgamentos e eu espero êxito nestes também. Uma mãe não abandona seu filho. Ele está aqui comigo e eu estou com ele", afirmou Maria do Carmo Soares, mãe de Thiago Faria, após o julgamento. Daniel Faria, irmão do promotor, completou: "Me sinto muito satisfeito com a decisão da juíza. Ela foi bastante justa e fico feliz porque sei que o meu irmão, lá em cima, vai poder descansar em paz".
Thiago Faria Soares era promotor do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e foi assassinado com tiros de espingarda calibre 12 no dia 14 de outubro de 2013, enquanto dirigia pela PE-300, entre Águas Belas e Itaíba, no Agreste do Estado. Estava no veículo junto a Mysheva Martins e um tio dela, Adautivo Martins. Os dois últimos escaparam do atentado.
Anderson Flexa, advogado de José Marisvaldo, afirmou que vai recorrer da decisão judicial. "Nós não concordamos com esse resultado, não é o que esperávamos. Existe um dos acusados que foi absolvido e nós entedemos que nenhum deles tem justificativa pra ser condenado. Não há prova consistente, não há nada convincente neste processo. O laudo não é neutro, não busca elucidar nada", cravou o defensor. O advogado de José Maria Rosendo não quis falar com a imprensa.
José Maria Domingos, que também teria participado do homicídio, será julgado apenas no dia 12 de dezembro, pois seu advogado, Emerson Leônidas, faltou à primeira sessão do julgamento, na última segunda-feira (24), sem dar nenhuma justificativa. O defensor foi multado pela juíza federal Amanda Torres de Lucena Diniz Araújo em 30 salários mínimos. Antônio Cavalcante Filho está foragido e, por isso, seu processo foi desmembrado para não prejudicar o andamento do caso. 

DISCUSSÕES ACALORADAS MARCAM ÚLTIMO DIA DE JULGAMENTO

A última quinta-feira (27) foi marcada por discussões acaloradas entre os advogados de defesa e os procuradores do Ministério Público Federal (MPF), auxiliados por assistentes de acusação. O MPF defendeu que Thiago foi morto por interferir na pendenga judicial entre a então noiva dele, a advogada Mysheva Martins, e a família do fazendeiro José Maria Pedro Rosendo, acusado de ser o mandante do assassinato. Mysheva adquiriu, em leilão realizado em 2012, 25 hectares da fazenda onde morava a família de Rosendo.
A estratégia da acusação foi descrever crimes anteriores praticados por Zé Maria e mostrá-lo como figura temida em Águas Belas e Itaíba. "É um senhor da vida e da morte naquela região. Uma pessoa tão acostumada à impunidade que chegou a matar um promotor", disse o procurador federal Bruno Magalhães, que iniciou o debate.
A acusação listou 12 indícios de que José Maria seria o mandante do crime. Entre eles, o próprio histórico violento do fazendeiro, as desavenças com o pai de Mysheva, além da interferência de Thiago na resolução – em favor da noiva – do impasse judicial que envolvia a Fazenda Nova, em Águas Belas, disputada pelas duas famílias.
O assistente de acusação José Augusto Branco atacou o que ele considera "linchamento moral" sofrido por Mysheva Martins ao longo do processo. "Eles (a defesa) a acusaram de ter traído o antigo namorado, de ter se aproveitado de Thiago e até insinuaram que ela pudesse ter algo a ver com o crime. Ela é vítima, teve a vida arrasada, hoje é uma defunta ambulante", disse. Mysheva – que teve a companhia do pai, Lourival Martins, na sessão – passou mal durante o depoimento de acusação e precisou de atendimento médico, mas voltou ao plenário uma hora depois.
Na parte da tarde foi a vez da defesa dos três réus (os outros dois são Adeildo dos Santos e José Marisvaldo da Silva). O defensor de José Maria Rosendo, José Olímpio Mendonça, levantou suspeitas quanto à perícia realizada pela Polícia Federal, e que confirma a versão da advogada. "O carro do promotor foi encontrado parado, sem marcas de frenagem e com o freio de mão engatado. Como uma pessoa que leva um tiro de (espingarda) 12 pode parar um veículo com tanta calma?". Olímpio ainda alegou que, após a morte de Thiago, Mysheva teria pedido à família dele, via emails, documentos que comprovassem a união estável entre os dois, com vistas à concessão de uma eventual pensão pelo Ministério Público. "Mas os familiares do promotor negaram o pedido". À noite, aconteceram os debates entre acusação e defesa.Do JC

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