Pandemia ampliou a miséria e também a necessidade de programas sociais

 

Foto: Marcelo Ferreira / CB

Os programas de transferência de renda são e sempre serão necessários, mesmo que as condições econômicas melhorem no Brasil, a exemplo do que ocorreu em outros países. A avaliação é do cientista político Valdir Pucci. No entanto, o especialista alerta para o uso político dos benefícios sociais, principalmente em anos eleitorais. "No Brasil, os políticos transformaram os programas em moeda de troca para ganhar votos e não combater de fato a pobreza", diz.


De acordo com Pucci, falta coragem para resolver o problema dentro do Estado brasileiro, como reforma política, administrativa e tributária. "Mas, neste momento, não há nenhum interesse em acabar esses programas assistenciais já que buscam retorno eleitoral para seus idealizadores".

O cientista político vê semelhanças do surgimento dos bolsões de pobreza ao redor de Brasília com o que também ocorreu no Rio de Janeiro. Por abrigar o status de capital do país e por esse motivo receber recursos oriundos da União e do Distrito Federal, a cidade fica marcada como um lugar de alto custo de vida, de moradia, alimentação, locomoção e fica evidente a dobradinha do salário oferecido aos servidores pelo governo federal para incentivar a vinda deles para o Centro-Oeste, na inauguração da capital.

"A cidade fica cara, o que faz aumentar a desigualdade social. Muitas pessoas que vieram para trabalhar na capital foram afastadas do centro. Com o passar do tempo foram morar cada vez mais longe, onde o custo de vida é mais barato", explica.

Segundo o especialista, o aumento da vulnerabilidade social no DF, assim como em todo o Brasil, vem, sobretudo, dos dois anos da pandemia, quando a economia ficou praticamente estagnada. Essa situação levou ao aumento da pobreza.

Mas, a culpa não pode ser creditada somente ao novo coronavírus. De acordo com Pucci, a classe política, ao invés de buscar soluções para a pobreza, foca nas consequências que ela traz. As medidas deveriam ser de solução e não paliativas, como o antigo Bolsa Família e o Auxilio Brasil, que não vão na raiz do problema, só resolvem momentaneamente, não buscam a solução estrutural do problema.

Professor de economia da Universidade de Brasília (UnB), Roberto Ellery reconhece a importância das políticas de renda para combater a fome no país, mas é preciso mais. "Os programas de transferência se mostraram fundamentais para redução da fome extrema, mas a economia precisa voltar a crescer e reduzir a inflação, que é tão cruel com os mais pobres", explica.Diário de PE

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