Uma reportagem exibida pelo Domingo Espetacular, da TV Record, neste domingo (25), revelou que policiais civis de Pernambuco realizaram uma operação de espionagem contra o secretário de Administração do Recife, Gustavo Monteiro, e seu irmão, Eduardo Monteiro, assessor da prefeitura. A ação teria sido batizada internamente de “Nova Missão”.
Segundo mensagens obtidas pela reportagem, os agentes passaram a monitorar a rotina dos dois, acompanharam deslocamentos diários e instalaram um rastreador veicular — chamado de “carrapato” pelos próprios policiais — em um dos veículos utilizados pela família. Apesar disso, Gustavo Monteiro era tratado como “alvo da inteligência”, mesmo sem responder a qualquer investigação formal ou inquérito policial.
Entre agosto e outubro do ano passado, os policiais teriam seguido os passos do secretário desde a saída de casa até o retorno no período da noite. As informações eram compartilhadas em tempo real em um grupo de mensagens com cerca de dez integrantes, entre delegados e agentes. O carro monitorado era utilizado com mais frequência por Eduardo Monteiro.
De acordo com a reportagem, no dia 13 de setembro, os agentes aproveitaram uma parada de Eduardo em um mercado para instalar o rastreador no automóvel. As conversas indicam que o equipamento foi adquirido pelo delegado Wagner Domingues, coordenador da inteligência da Polícia Civil de Pernambuco.
Durante o período de vigilância, os policiais registraram um acidente envolvendo o veículo monitorado e demonstraram preocupação com a possibilidade de o rastreador ser descoberto durante o conserto em uma oficina. As mensagens também mencionam o uso do sistema de reconhecimento facial Clearview, ferramenta de uso restrito às forças de segurança.
O governo de Pernambuco adquiriu oito licenças do sistema por aproximadamente R$ 800 mil, sendo o delegado Wagner Domingues o gestor do contrato.
Ao tomar conhecimento do monitoramento, Gustavo Monteiro afirmou estar indignado e classificou a prática como perseguição política, afirmando que o episódio é incompatível com a democracia.
Em nota, a Polícia Civil de Pernambuco informou que recebeu denúncia anônima sobre possível recebimento de propina, que a apuração seguiu os trâmites legais e que nenhum inquérito foi instaurado. Já a Prefeitura do Recife declarou repudiar qualquer uso indevido das forças policiais e defendeu o respeito às instituições democráticas. Agreste Violento
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