segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

POLÍCIA CIVIL DE PERNAMBUCO É ACUSADA DE ESPIONAGEM CONTRA SECRETÁRIO DA PREFEITURA DO RECIFE

 


Uma reportagem exibida pelo Domingo Espetacular, da TV Record, neste domingo (25), revelou que policiais civis de Pernambuco realizaram uma operação de espionagem contra o secretário de Administração do Recife, Gustavo Monteiro, e seu irmão, Eduardo Monteiro, assessor da prefeitura. A ação teria sido batizada internamente de “Nova Missão”.

Segundo mensagens obtidas pela reportagem, os agentes passaram a monitorar a rotina dos dois, acompanharam deslocamentos diários e instalaram um rastreador veicular — chamado de “carrapato” pelos próprios policiais — em um dos veículos utilizados pela família. Apesar disso, Gustavo Monteiro era tratado como “alvo da inteligência”, mesmo sem responder a qualquer investigação formal ou inquérito policial.

Entre agosto e outubro do ano passado, os policiais teriam seguido os passos do secretário desde a saída de casa até o retorno no período da noite. As informações eram compartilhadas em tempo real em um grupo de mensagens com cerca de dez integrantes, entre delegados e agentes. O carro monitorado era utilizado com mais frequência por Eduardo Monteiro.

De acordo com a reportagem, no dia 13 de setembro, os agentes aproveitaram uma parada de Eduardo em um mercado para instalar o rastreador no automóvel. As conversas indicam que o equipamento foi adquirido pelo delegado Wagner Domingues, coordenador da inteligência da Polícia Civil de Pernambuco.

Durante o período de vigilância, os policiais registraram um acidente envolvendo o veículo monitorado e demonstraram preocupação com a possibilidade de o rastreador ser descoberto durante o conserto em uma oficina. As mensagens também mencionam o uso do sistema de reconhecimento facial Clearview, ferramenta de uso restrito às forças de segurança.

O governo de Pernambuco adquiriu oito licenças do sistema por aproximadamente R$ 800 mil, sendo o delegado Wagner Domingues o gestor do contrato.

Ao tomar conhecimento do monitoramento, Gustavo Monteiro afirmou estar indignado e classificou a prática como perseguição política, afirmando que o episódio é incompatível com a democracia.

Em nota, a Polícia Civil de Pernambuco informou que recebeu denúncia anônima sobre possível recebimento de propina, que a apuração seguiu os trâmites legais e que nenhum inquérito foi instaurado. Já a Prefeitura do Recife declarou repudiar qualquer uso indevido das forças policiais e defendeu o respeito às instituições democráticas. Agreste Violento

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