terça-feira, 3 de abril de 2012

Família de mulher que ficou cega após cirurgia vai á Justiça



A infecção hospitalar que levou à cegueira quatro mulheres após cirurgia para tratamento da catarata em Caruaru será objeto de ação judicial. A família de uma das pacientes Elizabete Lopes de Andrade, 68, já decidiu entrar na justiça.. Imagem: Benda Souto Maior/DP/D.A Press
Imagem: Benda Souto 

A infecção hospitalar que levou à cegueira quatro mulheres após cirurgia para tratamento da catarata em Caruaru será objeto de ação judicial. A família de uma das pacientes Elizabete Lopes de Andrade, 68, já decidiu entrar com uma ação de reparação por danos morais e estuda a possibilidade de um processo criminal por lesão corporal gravíssima.

A Vigilância Sanitária de Caruaru informou que, caso confirmado que houve falha que possa ser caracterizada como crime, irá instaurar processo administrativo e encaminhá-lo à Justiça. Será muito difícil, no entanto, ter absoluta certeza sobre o meio como a infecção hospitalar se deu, já que as cirurgias foram realizadas na segunda-feira e a vistoria da Vigilância Sanitária de Caruaru só ocorreu na sexta.

Tempo suficiente para a bactéria morrer no meio ambiente e não ser mais possível realizar testes para verificar sua presença no bloco e nos instrumentos cirúrgicos. As quatro pacientes foram operadas no Instituto da Visão de Pernambuco, que está com as cirurgias suspensas desde a quarta-feira, por decisão da própria direção, e o bloco interditado pela Vigilância Sanitária desde a sexta, por tempo indeterminado. Há suspeita de que a infecção tenha sido causada por uma forma multirresistente a antibióticos da bactéria Pseudomonas.

Deprimida, Elizabete Lopes de Andrade, 68, não teve condições de dar entrevista ao Diario, pois estava sob efeito de medicações. Sua advogada, Cleise Domingos, no entanto, disse que irá impetrar a ação cível tão logo sejam finalizadas as perícias dos órgãos sanitários. Segundo ela, duas questões motivaram a decisão de acionar a Justiça: a perda irreversível do globo ocular e a assistência inicial prestada a Elizabete. Ela teria sido a primeira paciente a passar por cirurgia naquele dia. Na mesma noite, a idosa começou a sentir dor e no dia seguinte já se queixava de não estar mais enxergando do olho operado.


Atendimento
- O encaminhamento ao Hope, no Recife, foi feito dois dias após a cirurgia. A família acredita que se isso tivesse ocorrido antes talvez tivesse sido possível salvar o globo ocular da paciente. “No dia seguinte à cirurgia, o médico disse que era uma inflamação. Mas o tecido do olho necrosou. A cirurgia foi feita pelo plano de saúde, mas ela ainda pagou R$ 1,2 mil para ter direito a uma lente melhor que a que o plano ia arcar”, disse a advogada.

Medo da cegueira
- Com a pálpebra ainda roxa e inchada, outra paciente que perdeu a visão de um dos olhos, Margarida Cavalcanti Teixeira, 68, ainda sente dor. Ela chora quando recorda o momento em que percebeu que havia perdido a visão do olho esquerdo. E teme que o diabetes, doença com a qual convive há 32 anos e que é responsável por outros problemas de saúde da idosa, prejudique seu olho direito, operado de catarata há quatro anos pelo mesmo médico que realizou as cirurgias das quatro pacientes que tiveram infecção hospitalar, Renato Lira.

“A médica do Recife disse que como eu tenho diabetes, essa infecção poderia passar para o outro olho e eu ficar totalmente cega. Sei que com o tempo, vou perder a visão do olho direito também. A catarata volta”, disse Margarida. Ela contou que na primeira consulta após a cirurgia estava enxergando bem e não sentia qualquer incômodo. Na noite da terça, a dor surgiu.

Margarida não conseguiu dormir e foi na quarta ao Instituto da Visão de Pernambuco. Quando chegou lá, encontrou outras duas mulheres com o mesmo problema.  Mas a paciente não culpa o médico nem pensa em entrar com uma ação judicial. Confia no trabalho dele, bem sucedido há quatro anos, quando operou o olho direito.

É grata pela assistência prestada pelo profissional, que viajou ao Recife no mesmo dia que as pacientes. “Não vou entrar com ação. Só por dinheiro? O olho não vem mais. Não tenho ganância por nada não. Nem mágoa”, disse. Em duas semanas, ela deve retornar ao Recife. Sua prótese definitiva deverá ser colocada em 30 dias.

Do Diario de Pernambuco

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