Justiça Federal levará acusados de matar promotor de Itaíba a júri popular

Do G1 PE
Promotor trabalha no comarca de Itaíba, no Agreste (Foto: Facebook/Arquivo Pessoal)
(Foto: Facebook/Arquivo Pessoal)
Quatro réus no processo que investiga o assassinato do promotor de Justiça Thiago Faria Soares, morto em 2013, no Agreste de Pernambuco, vão a júri popular. A decisão da 36ª vara da Justiça Federal de Pernambuco foi tomada na última sexta-feira (17), mas divulgada somente nesta segunda (20). Quem  assina o documento é a  juíza Amanda Torres. A data em que José Maria Pedro Rosendo Barbosa, José Maria Domingos Cavalcante, Adeildo Ferreira dos Santos e José Marisvaldo Vitor da Silva serão julgados ainda não foi definida.
Tanto a defesa dos réus quanto o Ministério Público Federal podem recorrer da decisão, a partir desta segunda. Esses recursos deverão ser encaminhados para o Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5). Somente após a tramitação desses recursos, caso hajam, é que o júri popular poderá ser agendado.

Audiência de instrução
No dia 27 de março, ao ouvir quatro dos cinco réus do processo, a Justiça Federal em Pernambuco concluiu a audiência de instrução sobre o crime. Depois disso, o MPF e a defesa apresentaram suas alegações finais, somente depois do que a juíza pôde tomar sua . decisão.

O primeiro réu a ser interrogado foi Adeildo Ferreira dos Santos. Em seguida, a Justiça ouviu José Maria Domingos Cavalcante, José Marisvaldo Vitor da Silva e José Maria Pedro Rosendo Barbosa. O quinto réu, Antônio Cavalcante Filho, está foragido e, por isso, o processo dele foi desmembrado para não prejudicar o andamento da investigação.

Ao longo de quatro dias de audiência foram ouvidas 34 testemunhas - sendo 16 arroladas pela acusação e 18 pela defesa - mais duas vítimas do crime, a advogada Mysheva Martins Ferrão (que era noiva do promotor) e Adautivo Elias Martins, tio dela.

Entenda o caso
O crime ocorreu em 14 de outubro de 2013. O promotor Thiago Faria Soares foi morto quando seguia de Águas Belas para Itaíba, cidade onde trabalhava. A motivação, segundo a PF, envolveu uma disputa pelas terras da Fazenda Nova. O fazendeiro José Maria Barbosa perdeu a posse para a noiva do promotor, em um leilão da Justiça Federal, e teve que deixar o imóvel. Em entrevista exclusiva à TV Globo, na época do crime, o fazendeiro negou ter cometido o homicídio. A Polícia Civil, que iniciou as investigações, apontou que Barbosa teria contratado o cunhado, Edmacy Ubirajara, para matar Thiago Faria. Ubirajara chegou a ser preso, mas foi liberado.

A investigação do homicídio foi federalizada em 13 de agosto de 2014, a pedido do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot. Por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a investigação da morte do promotor Thiago Faria Soares saiu das mãos da Polícia Civil e passou a ser de responsabilidade da Polícia Federal, sendo o inquérito distribuído à 36ª Vara Federal de Pernambuco.

A denúncia contra os cinco réus foi oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF) em janeiro deste ano. A Polícia Federal (PF) denunciou o fazendeiro José Maria Pedro Rosendo Barbosa, 55, como o mandante do homicídio doloso, motivado por disputa de terras. Além dele, estão sendo julgados, por participação no planejamento e execução do crime, José Maria Domingos Cavalcante, 55, Antônio Cavalcante Filho, 26, Adeíldo Ferreira dos Santos, 26, e José Marisvaldo Vitor da Silva, 42. Todos também vão responder pela tentativa de homicídio contra Misheva Freire Ferrão Martins, noiva do promotor na época, e Adautivo Martins, tio dela. Os dois estavam no mesmo veículo do promotor no dia do crime, mas não foram atingidos pelos disparos.

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