Ex-pastor é indiciado por estupro e atos libidinosos contra mulheres no Recife


Um dos crimes é datado do ano de 1996 / Foto Ilustrativa: Diego Nigro/Acervo JC Imagem

Foto Ilustrativa: Diego Nigro/Acervo JC Imagem
Do JC
A Polícia Civil de Pernambuco está investigando casos de estupro e atos libidinosos cometidos por um ex-pastor de uma igreja evangélica da Zona Norte do Recife. De acordo com a delegada Bruna Falcão, responsável pela Delegacia Mulher, até o momento oito mulheres denunciaram o homem, que também é formado em psicologia. A delegada explicou, no entanto, que quatro casos não poderão ser investigados porque os crimes já prescreveram. Um deles, inclusive, é datado do ano de 1996, quando uma das vítimas tinha 17 anos. Quatro inquéritos já foram concluídos e o homem foi indiciado pela polícia. As denúncias, segundo a delegada, começaram a chegar em janeiro de 2020. 
De acordo com a Polícia Civil, o homem usava a condição de pastor e psicólogo para praticar atos libidinosos durante o atendimento pastoral. "Ele se prevalecia da sua função para tentar praticar atos libidinosos contra essas mulheres dizendo que eram técnicas de cura, libertação espiritual e psicológica e, com algumas dessas mulheres ele conseguiu consumar atos libidinosos e com uma delas a gente conseguiu materializar que ele praticou efetivamente o estupro", contou.
Segundo a delegada responsável pelo caso, o ex-pastor foi intimado para prestar depoimento no dia 13 de fevereiro, mas apresentou atestado médico alegando estar afastado das suas funções habituais por problemas psiquiátricos durante 60 dias e pediu adiamento do interrogatório. Foi marcado um novo depoimento para a semana seguinte, mas foi apresentado um novo atestado psiquiátrico e os inquéritos foram concluídos e remetidos à Justiça. "Esse segundo adiamento a gente não deferiu e resolveu não aguardar. Nós sabemos que problemas psiquiátricos a gente não tem condições de estimar a recuperação", explicou a delegada. "Os procedimentos foram concluídos sem o interrogatório do investigado e remetidos para apreciação do Poder Judiciário", completou.
A delegada ainda explicou que após as denúncias começarem a aparecer, o pastor foi submetido a um conselho com os líderes da instituição, no qual foi oferecido a ele a possibilidade de renunciar ao cargo ou de continuar e ser aberto um processo administrativo para apurar a conduta. "Ele preferiu firmar uma carta a próprio punho renunciando ao ministério", disse.
Procurada pela reportagem, a Convenção Batista no Recife disse que fará um pronunciamento em breve sobre o caso, e afirmou que a igreja está tomando todas as providências necessárias para o desligamento do pastor. 
Apesar das denúncias contra o homem, a delegada explicou que não foi feito o pedido de prisão preventiva porque ele "em nenhum momento se furtou à intimação, se colocou à disposição para ser inquirido, embora contrariamente à recomendação médica". "Mas, havendo motivos justificados para que a gente peça a prisão e ele responda de maneira encarcerada aos procedimentos, isso será feito. A gente não vislumbrou a possibilidade no momento, mas isso pode mudar no futuro", disse.

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